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 <language>gl</language>
<item>
 <title>Banco Central Europeo: un pirómano ao servizo da banca privada</title>
 <link>http://www.galizacig.org/avantar/opinion/15-5-2012/banco-central-europeo-un-piromano-ao-servizo-da-banca-privada</link>
 <description>&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Cando a
historia xulgue dentro duns anos o que agora está pasando en Europa atopará no
comportamento do Banco Central Europeo unha causa principal dos males que
sufrimos porque foi deseñado para axudar a banca privada e non para defender os
intereses públicos e a estabilidade macroeconómica e social.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;Non se
lle concedeu capacidade de supervisión para que as entidades financeiras
utilizasen con vantaxe a existencia dos 27 réximes nacionais diferentes e
impedíuselle financiar aos gobernos. É dicir, Europa dotouse dun banco central
que non o era en realidade, o que permitiu que os bancos privados dispuxesen
para si, e con toda liberdade de actuación, do negocio do financiamento aos
gobernos.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;Cando
as cousas ían ben e o paso dos xuros se levaba con certa comodidade, este xeito
de funcionar permitía que os bancos atopasen na subscrición da débeda soberana
dos distintos países unha abondosa e tranquila fonte de beneficios que non
xeraba demasiados problemas, pero cando a crise aumentou e aumentou a
necesidade de financiamento (en gran parte para axudar os propios bancos
privados) xeráronse algúns moi graves que poden provocar que Europa salte polo
aire.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;En
primeiro lugar, obrigouse a que os gobernos tivesen que pagar moitísimo máis
por financiar a súa débeda. E como esta comezou a multiplicarse en gran parte
pola aplicación dos tipos de xuros de mercado, chegáronse a cifras que resultaban
literalmente insoportábeis.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;En
segundo lugar, e como ocorre sempre, os mercados non se limitaban a financiar
senón que financiaban en función da lóxica especulativa dominante, é dicir,
vinculando a débeda a produtos financeiros máis complexos, a rendibilidade dos
cales aumentaba canto máis difícil se fixese o seu pagamento, de modo que se
incentivou así a desestabilización das economías para facer rendíbeis o
investimento especulativo: cantas máis caesen, máis ganancias.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;Finalmente,
aínda que xa cando a situación apenas tiña arranxo, o Banco Central Europeo foi
obrigado a intervir, aínda que pola porta de atrás do mercado secundario e sen
deixar de alimentar a cobiza da banca privada. Tratou de aliviar a situación
pero o que conseguiu non foi senón mostrar aos investidores e aos bancos que
podían xogar mesmo aínda máis forte a especular pois ao final disporían da
cobertura que daba o BCE.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;Sabemos
que os bancos privados utilizaron esta posición privilexiada como financiadores
para extorsionar os gobernos e imporlles reformas orientadas a recortar
dereitos sociais (coa escusa de que eran necesarias para saír da crise). E
agora decatámonos de que o propio Banco Central Europeo utilizou tamén as súas
propias intervencións para influír sobre as decisións dos gobernantes, forzando
a súa vontade e deixando que a situación empeorase cando lle conviña para
defender os postulados ideolóxicos que guían aos seus directivos. Comportouse
como un auténtico pirómano e debería abrirse canto antes unha comisión
independente de investigación que depure as responsabilidades de todos eles,
así como crear xa os tipos penais que contemplen o dano económico que provocan
este tipo de actuacións.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;[Artigo tirado do sitio web ‘&lt;a href=&quot;http://www.nuevatribuna.es/opinion/juan-torres-lopez/2012-05-14/banco-central-europeo-un-piromano-al-servicio-de-la-banca-privada/2012051410361400763.html&quot;&gt;Nueva Tribuna&lt;/a&gt;’,
do 14 de maio de 2012]&lt;/p&gt;</description>
 <category domain="http://www.galizacig.org/avantar/taxonomy/term/1809">banca</category>
 <category domain="http://www.galizacig.org/avantar/taxonomy/term/5645">Banco Central Europeo</category>
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 <pubDate>Tue, 15 May 2012 11:12:39 +0200</pubDate>
 <dc:creator>rafa.villar</dc:creator>
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</item>
<item>
 <title>Europa: O vento mudou</title>
 <link>http://www.galizacig.org/avantar/opinion/15-5-2012/europa-o-vento-mudou</link>
 <description>&lt;p&gt;&lt;strong&gt;A
política europeia virou? Não. Mas só o sectarismo mais cego se recusará a
reconhecer que as condições do combate político em escala europeia e em escala
nacional mudaram no domingo passado. Há uma inequívoca derrotada nas eleições
francesas e gregas: a troika e a sua receita estúpida e incompetente para a
Europa. O campo dos talibãs da austeridade ficou fragilizado. Pode estar em
germinação uma Europa nova. As escolhas que agora fizermos decidirão o sentido
e a densidade dessa novidade. &lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;Não,
não é inevitável. Foi essa a mensagem dada à Europa pelos povos de França e da
Grécia. Cada um a seu jeito, porque cada um está em sua condição. Não é
inevitável a desconstrução da Europa por um fundamentalismo recessivo, disse
com clareza o povo francês. Não é inevitável a punição das vidas das pessoas e
a humilhação dos povos como redenção da cupidez do sistema financeiro, disseram
com clareza os gregos.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;A
política europeia virou? Não. Mas só o sectarismo mais cego se recusará a
reconhecer que as condições do combate político em escala europeia e em escala
nacional mudaram no domingo passado. Há uma inequívoca derrotada nas eleições
francesas e gregas: a troika e a sua receita estúpida e incompetente para a
Europa. O campo dos talibãs da austeridade ficou fragilizado. E se é certo que
do novo presidente francês não se ouve a palavra ruptura, não é menos certo que
no centro do seu compromisso eleitoral estava a renegociação do pacto
orçamental imposto por Angela Merkel. &lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;Esse
vai ser o teste decisivo à intensidade da mudança: ou a social-democracia hoje
personificada em François Hollande se queda por uma adenda ao neo-liberalismo –
que o aceita e não quer mais do que “humanizá-lo” – ou tem a coragem de lhe
contrapor com clareza e coragem outra estratégia, outro horizonte e outra
cultura econômica e política.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;Essa é
também a escolha que os socialistas portugueses terão que fazer. Que a direção
do Partido Socialista tenha alinhado com esta direita na aprovação pacoviamente
precoce do pacto orçamental ditado de Berlim – para mais, votando a favor –
retira-lhe todo o crédito que um sábio adiamento da decisão confere agora a
Hollande e coloca-a em contradição com a vontade expressa pelo SPD de votar
contra o dito pacto. O PASOK, na Grécia, fez o mesmo que Seguro. Os resultados
estão à vista. A interpelação de Mário Soares ao seu partido tem, neste
contexto, um sentido claro: a radicalidade da crise não se compadece com
adendas suavizadoras da austeridade, é precisa outra opção de fundo e ela não
se fará sem rutura com o memorando de entendimento com a troika. Não por
palavras mas em atos concretos.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;O dogma
da ilegalização de tudo quanto não seja neo-liberalismo- custe-o-que-custar
sofreu um sério revés em Paris e Atenas. Cabe agora a todos/as os/as que
aspiram a uma mudança efetiva transformar essa derrota do adversário numa
vitória própria. Para isso é preciso programa, é preciso firmeza sem
transigências no essencial e maleabilidade lúcida no acessório, é preciso ouvir
as pessoas e garantir-lhes em concreto a dignidade que lhes está a ser roubada.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;A lição
dos resultados eleitorais na Grécia é essa mesma. Claro que, aflitos, os amigos
do centrão sentenciam o caos causado pela vitória dos “radicais”. Como se
radicais não tivessem sido as políticas que governaram a Grécia nos últimos
dois anos pela mão da troika e do centrão com ela alinhado, como se caos não
fosse uma dívida que cresceu para os 180% do PIB depois da intervenção externa,
um desemprego que vai nos 22% e um horizonte de pelo menos mais dez anos de
agravamento desta descida aos infernos. Não, o que incomoda verdadeiramente os
amigos do centrão é que uma esquerda europeísta e por isso mesmo frontalmente
contrária à destruição recessiva da Europa passe a ter um reconhecimento social
amplo e possa ser vista como precedente de conteúdos de governação alternativos
para a União.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;Pode
estar em germinação uma Europa nova. As escolhas que agora fizermos decidirão o
sentido e a densidade dessa novidade. Não, não há inevitabilidades. Tudo está
sempre em aberto.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;[Artigo tirado do sitio web brasileiro ‘&lt;a&gt;Agência
Carta Maior&lt;/a&gt;’, do 14 de maio de 2012]&lt;/p&gt;</description>
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 <pubDate>Tue, 15 May 2012 10:47:25 +0200</pubDate>
 <dc:creator>rafa.villar</dc:creator>
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</item>
<item>
 <title>&quot;Catástrofe liberal&quot;: crise arrasta Europa para a incerteza</title>
 <link>http://www.galizacig.org/avantar/opinion/15-5-2012/quotcatastrofe-liberalquot-crise-arrasta-europa-para-a-incerteza</link>
 <description>&lt;p&gt;&lt;strong&gt;O tabu
sobre a unidade em torno do euro foi reduzido a pedaços. A União Europeia considera
cada vez mais a possibilidade de que a Grécia abandone a moeda única. O
semanário britânico The Observer chegou até a publicar uma nota sobre “como a
Grécia poderia deixar o Euro em cinco etapas difíceis”.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;A
história cruza suas espadas e faz papel picado da construção europeia tal como
ela foi plasmada no modelo ultraliberal. No momento em que o socialista
François Hollande se prepara para assumir a presidência da República da França,
a Europa está espremida em uma grave crise enquanto os mercados seguem movendo
os fios para não perder um centavo de seus já abismais lucros: a Grécia
continua sem formar um governo que aceite submeter o povo à sangria da
austeridade imposta pelos mesmos que foram cúmplices da derrocada. As bolsas
europeias - Paris, Londres, Milão, Frankfurt, Atenas – voltaram a fechar com
índices negativos, enquanto a Espanha, arrastada pelo redemoinho da especulação
e dos cortes, acusa a Grécia de ser a responsável pela situação.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;“A
instabilidade política grega é o principal elemento de incerteza e é aí que
devemos agir. Temos que tomar decisões”, disse em Bruxelas o ministro espanhol
da Economia, Luis de Guindos. A União Europeia se divide em torno do irmão
menor. Responsáveis da Comissão Europeia, ministros, analistas e meios de
comunicação já contempla, sem se escandalizar, o futuro da Europa com a Grécia
fora do euro. Os responsáveis europeus colocaram Atenas ante uma disjuntiva com
final similar: morrer dentro do euro, ou morrer fora dele. O presidente da
Comissão Europeia, José Manuel Barroso, disse que “se os acordos não são
respeitados por um país, isso significa que não há condições para continuar com
esse país”.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;Na verdade,
são os mercados que antecipam a hecatombe. Assustados pela eventualidade de um
atraso ou de uma suspensão das ajudas financeiras prometidas a Atenas para que
faça frente a seus vencimentos, os investidores se refugiam ali onde seus
capitais estão a salvo, neste caso nos títulos alemães. A taxa de risco
espanhola alcançou um máximo histórico ao mesmo tempo em que os títulos
alemães, os Band, percorreram o caminho contrário: chegaram a seu piso mais
baixo da história graças à corrida dos investidores para esse produto seguro. A
crise grega se juntou com os desarranjos da banca espanhola oriundos de anos
anteriores. O incêndio está chegando aos cofres dos bancos e se expande com as
faíscas do passado.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;A
reforma bancária proposta pelo governo conservador de Mariano Rajoy obriga os
bancos a aportar provisões de 30 bilhões de euros para sustentar as contas
castigadas por empréstimos imobiliários de alto risco. Cinco dos principais
bancos do país – Bankia, CaixaBank, Popular, Santander e BBVA – necessitam de
16 bilhões de euros para sanear-se. Os bancos espanhóis arrastam uma sombra de
238 bilhões de dólares de ativos imobiliários cujo valor é aleatório.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;Como se
isso não bastasse, o socialista François Hollande assume nesta terça-feira a
presidência em pleno confronto com a Alemanha a propósito do manto de
austeridade com o qual Berlim cobriu a Europa. O presidente francês se empenhou
em renegociar o pacto fiscal adotado em março passado por 25 dos 27 países da
União Europeia com a meta de superar a crise. Mas esse pacto implica severas
políticas de austeridade e Hollande disse que a austeridade sem crescimento não
faz sentido. O chefe de Estado francês quer renegociar o tratando incluindo
medidas a favor do crescimento, algo que a Alemanha rejeita. No entanto, os
analistas consideram que a força da crise grega obrigará Paris e Berlim a um
consenso no momento em que a ideia da saída da Grécia do euro deixou de ser uma
metáfora.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;O tabu
sobre a unidade em torno do euro foi reduzido a pedaços. A União Europeia considera
cada vez mais a possibilidade de que a Grécia abandone a moeda única. O
semanário britânico The Observer chegou até a publicar uma nota sobre “como a
Grécia poderia deixar o Euro em cinco etapas difíceis”. Em Atenas, o chefe do
partido de extrema-esquerda Syriza, negou-se a formar um governo com mandato
para aplicar um programa que ele mesmo qualificou de “criminoso”. Sem governo
na Grécia, a única alternativa seria realizar novas eleições daqui a um mês.
Marcus Huber, membro da empresa de consultoria financeira ETX Capital, disse à
imprensa que “essas eleições não só conduziriam a um novo rechaço das medidas
de austeridade, como representariam um verdadeiro referendo sobre a permanência
ou não do país na zona do euro”.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;Antes
impensável, essa eventualidade torna-se tangível e as capitais europeias já
começaram a fazer contas. Na França, o governador do Banco da França, Christian
Noyer, declarou que nenhum grupo financeiro, banco ou companhia de seguro
atravessaria sérias dificuldades em caso de “um cenário extremo na Grécia”. O
passivo da Grécia com os bancos franceses chega a 13 bilhões de euros.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;Atenas
deve cumprir com o plano de ajuste ou partir. O cenário de um euro sem a Grécia
é menos otimista que as declarações oficiais. Se isso ocorrer, muitas empresas
entrariam em situação de moratória. Segundo a agência de avaliação financeira
Fitch, as repercussões da Grécia fora do Euro se fariam sentir nas notas de
países como Itália e Espanha. De fato, a crise polifônica que atinge a Europa é
consequência do dogma liberal: desmontar os Estados, impor a bota da
austeridade e do rigor. Em termos de funcionamento, o dogma também criou
desarranjos difíceis de corrigir: o Banco Central Europeu (BCE) não empresta
dinheiro aos Estados, só aos bancos privados. Só o BCE tem o poder de
desvalorizar o euro e unicamente o BCE e os bancos privados podem emitir moeda,
não os Estados.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;Por
esta razão, a Grécia não pode nem desvalorizar nem criar moeda, nem obter
dinheiro do Banco Central a uma taxa razoável. A universitária Sophia Mappa,
pesquisadora no Laboratório de Investigações sobre a Governabilidade (Largotec)
assinala que “a crise grega é o espelho dos limites do modelo liberal, não só
econômico, mas também social”. O cientista político, economista e ex-deputado ecologista
Alain Lipietz resume o momento pelo qual atravessa a Europa com duas palavras:
“a catástrofe liberal”. &lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;Nada
retrata melhor sua análise do que as cifras do banco BBVA. No informe anual
apresentado em abril passado pelo BBVA, ante a Comissão do Mercado de Valores
dos Estados Unidos, o banco registrou: “A crise da dívida soberana na Europa se
intensificou em agosto de 2011 e se contagiou com pressões de financiamento no
setor financeiro. As tensões financeiras na Europa seguem em níveis superiores
àquelas verificadas após a queda do Lehman Brothers em 2008”. Quatro anos
depois da grande quebra do Lehman, a crise não fez outra coisa do que desenhar
um redemoinho que arrasta povos inteiros ao desemprego, à pobreza e à
incerteza.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;[Artigo tirado do sitio web brasileiro ‘&lt;a href=&quot;http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=20145&quot;&gt;Agência
Carta Maior&lt;/a&gt;’, do 14 de maio de 2012]&lt;/p&gt;</description>
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 <pubDate>Tue, 15 May 2012 10:38:39 +0200</pubDate>
 <dc:creator>rafa.villar</dc:creator>
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</item>
<item>
 <title>A vitória de François Hollande sob a maldição de Mitterrand</title>
 <link>http://www.galizacig.org/avantar/opinion/14-5-2012/a-vitoria-de-francois-hollande-sob-a-maldicao-de-mitterrand</link>
 <description>&lt;p&gt;&lt;strong&gt;A
propósito da eleição de François Hollande, cabe lembrar a primeira eleição de
um socialista na França, François Mitterrand, no início dos anos 80. Ele se
apresentara ao eleitorado com uma plataforma progressista, centrada na
estatização de empresas e bancos considerados estratégicos para a economia e a
sociedade. Estava na exata contramão do neoliberalismo então capitaneado por
Thatcher e Reagan, que acabou levando Miterrand à capitulação.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;Por
mais importante que a França seja na Europa, a eleição de François Hollande
para a presidência não dever trazer, no momento, grandes mudanças na política
econômica europeia. A Alemanha contracionista continuará no comando e a França,
como os demais países da zona do euro, continuará refém dos mercados, pelo
menos enquanto o BCE não puder comprar títulos públicos diretamente dos
governos numa escala superior à simples rolagem da dívida a fim de possibilitar
a retomada do investimento público.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;Essa
alternativa é inaceitável para a ortodoxa Alemanha. Pode-se prever um forte
embate entre Hollande e Merkel, pelo menos até as eleições gerais na própria
Alemanha que porão em jogo o poder da Chanceler. Até lá, a marcha real da crise
muito provavelmente enfraquecerá a posição alemã, embora o desfecho do embate
sofrerá a fortíssima influência de um fator externo tradicionalmente decisivo
para a política europeia: a reeleição ou não de Barack Obama e a composição
partidária do Congresso americano.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;Da
eleição de Hollande pode-se dizer o que o provérbio popular diz das posições
solitárias num contexto adverso: uma andorinha só não faz verão. Lembre-se a
primeira eleição de um socialista, François Mitterrand, no início dos aos 80.
Ele se apresentara ao eleitorado com uma plataforma progressista, centrada na
estatização de empresas e bancos considerados estratégicos para a economia e a
sociedade. Estava na exata contramão do neoliberalismo então capitaneado por
Thatcher e Reagan.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;O
“mercado” e a ideologia neoliberal em plena ascensão, baseada no princípio da
liberalização financeira, levaram Mitterrand à capitulação. Em meados de 1982,
seu ministro da Fazenda, Giscard d´Estaing, comunicou ao Presidente, numa
reunião de gabinete, que a França, sob um severo ataque especulativo, tinha
reservas não para meses, ou para muitas semanas, mas para alguns dias. No meio
do pânico geral, Mitterrand deu uma virada de 180 graus na política econômica e
aumentou espetacularmente os juros, seguindo o rastro do neoliberalismo
triunfante. &lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;Eu
testemunhei essa virada cobrindo a reunião dos Sete Grandes em Bonn em 1985.
Fiquei desolado ao ver Mitterrand e o premiê italiano, também socialista,
Betino Craxi, subscreverem um documento final que trazia todos os elementos
básicos da ideologia neoliberal: globalização financeira, liberalização,
primado absoluto do privado sobre o público. Esse momento foi decisivo na
uniformização das políticas dos países industrializados avançados em torno dos
princípios neoliberais; o Consenso de Washington, alguns anos depois,
representou apenas uma formalização acadêmica.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;O que
se pode esperar, então, objetivamente, da eleição de Hollande? Certamente ela
tem aspectos positivos. Haverá um aumento de pressão, junto com a Itália e a
Espanha, para que a Europa retome os investimentos públicos. Para financiá-los,
pode-se recorrer à fórmula já defendida no âmbito da Comissão Europeia de se
lançar um título europeu com a garantia do bloco. O problema com essa fórmula é
que ela pode deprimir ainda mais o valor dos títulos dos governos nacionais,
elevando a níveis insuportáveis o custo do refinanciamento da sua dívida
pública corrente.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;O que
se pode prever que vá efetivamente ocorrer? Primeiramente, há uma questão
técnica, pouco levada em conta por políticos: não é possível, em termos
contábeis, aumentar o investimento público líquido e reduzir o déficit e a
dívida pública. O investimento relevante para a retomada do desenvolvimento é o
investimento deficitário, isto é, aquele que representa um gasto público
financiado por dívida (ou receita de senhoriagem), não por tributo, que é
contracionista. Significa mobilizar recursos privados ociosos para
investimentos concretos sem elevação de impostos.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;O
“mercado” não gosta disso. Quer que a dívida e o déficit público sejam
reduzidos. Embora isso não impeça investimentos públicos, impede investimentos
novos. Uma queda de braços em torno da questão do investimento público novo
entre “mercado” e o governo Hollade é perfeitamente previsível. A única defesa
que o novo governo francês tem é o BCE, que pode comprar seus títulos, diluindo
o poder do “mercado”. Claro, para que isso aconteça, será necessário falar com
a Merkel, ou esperar que ela seja derrubada pelo voto no próximo ano.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;[Artigo tirado do sitio web brasileiro
‘&lt;a href=&quot;http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=20132&quot;&gt;Agência Carta Maior&lt;/a&gt;’, do 12 de maio de 2012]&lt;/p&gt;</description>
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 <pubDate>Mon, 14 May 2012 11:59:33 +0200</pubDate>
 <dc:creator>rafa.villar</dc:creator>
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<item>
 <title>O que está acontecendo na Síria</title>
 <link>http://www.galizacig.org/avantar/opinion/14-5-2012/o-que-esta-acontecendo-na-siria</link>
 <description>&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Em
pouquíssimas semanas a oposição que enchia as praças é substituída por algo bem
diferente, o terrorismo, que tem por fim último o velho projeto do Pentágono de
desembaraçar-se de qualquer modo de um dos pouquíssimos Estados nacionais que
se mantiveram íntegros e não aliados aos seus desejos. Uma evolução que não é
nova e tem caracterizado nestes meses grande parte das revoltas árabes.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;Uma coisa, porém, é fácil dizer, mais uma vez – como no Iraque,
primeiramente, e depois na Líbia, há poucos meses – estamos assistindo, aliás
sofrendo, uma verdadeira operação de desinformação e manipulação midiática.
Mais uma vez a mídia se torna um instrumento de guerra, a serviço dos estados
maiores que através dela justificam bombardeios e ocupações junto à opinião
pública.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;Chegando
a Damasco, via Amã, na Jordânia (a outra alternativa é o Cairo), visto que os
aeroportos europeus fecharam as suas escalas aos voos diretos à Síria, somos
subitamente atingidos por uma atmosfera abafada. O vozerio caótico que sempre
caracteriza as estradas, praças e mercados de Damasco parece ter desaparecido,
dando lugar a um clima nervoso e preocupado.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;Mas não
há nenhum sinal de tanques armados, unidades de guerra e toques de recolher.
Nenhum traço do exército em Damasco. No entanto, eu tinha partido de Roma
levando na cabeça horas e horas de noticiários sobre bombardeios e
militarização do território. Na realidade, ao menos Damasco é bem diferente.
Encontro uma cidade certamente preocupada, mas com muita vontade de viver e de
reagir. Uma cidade cheia de desejo de normalidade. &lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;O
primeiro pensamento é o de estar enganado, seguramente os boletins de guerra
que na Itália falavam de bombardeios, explosões e ações militares não se
referiam a Damasco. Se fosse necessário, eu teria a confirmação disso ao
retornar à Itália quando vi o programa “Rainews” mostrando um noticiário sobre
Damasco “debaixo de bombas”. Claro que a situação atual não é de normalidade. O
medo prevalece, as cidades estão privadas do turismo e algumas regiões são
dificilmente controladas pelo exército regular, tanto que para viajar de
Latakia a Damasco fui obrigado a ir de avião em vez de percorrer os cerca de
250 quilômetros que separam as duas cidades, mas era “muito perigoso passar nas
proximidades da periferia de Homs”, diziam-me. Em suma, Damasco não é toda a
Síria, mesmo que as notícias reconfortantes cheguem também de Aleppo, Tartus e
Latakia, cidades que juntas perfazem mais da metade da população da Síria.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;Contudo,
durante os dias em que estive na capital da Síria, se havia bombas, não eram
lançadas nem pelo exército nem pela polícia fiel a Bashar Al Assad. Os
responsáveis por isso, ao contrário, são os próprios campeões da democracia,
assim tem sido reportado pelos nossos próprios jornais que se opõem ao atual
governo. Uma verdadeira estratégia do terror, que gera medo e incerteza, e que
segundo os planos destes “revoltosos” em breve porão de joelhos o partido Baath
e seu sistema de poder. Até o momento, porém, o que conseguiram paradoxalmente
foi pôr em crise o próprio setor da oposição que de boa fé reivindicava
reformas e democracia. Muitos dos defensores das reformas, mesmo radicais, hoje
temem a deriva “islâmica” da revolta e preferem refluir no pessimismo e
observar a evolução da crise à distância.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;Mas o
que mais dá medo é sobretudo a crescente presença de cidadãos estrangeiros
chegados à Síria para combater pela “democracia”. São o coração do Exército
Sírio de Libertação . Um tipo de milícia mercenária internacional, com uma
forte conotação islâmica, que há anos está a serviço de poderes fortes e de
interesses consolidados, desde que dispostos a pôr sobre a mesa um considerável
botim. Uma milícia que nasce e se consolida no Afeganistão dos anos 1980,
promovida pelos serviços secretos estadunidenses com o objetivo de alimentar a
contraposição ao bloco soviético, para depois de anos se transferir
primeiramente para os Bálcãs, depois – como elemento de desestabilização do
governo de Saddam Hussein – no Iraque, e finalmente na Líbia e na Síria. Uma
milícia que às vezes assume nomes e definições diversas, Al Qaida, jihadistas,
salafistas … , mas que, em substância, conserva características próprias e
imutáveis segundo o teatro do conflito e os interesses que a movem e pagam. Um
exército não ideológico, que sob a aparente cobertura do Islã esconde uma
extrema falta de escrúpulos.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;Sobre
esta milícia o mundo ocidental deveria fazer alguns raciocínios e reflexões.
Especialmente depois do que aconteceu nos Estados Unidos em setembro de 2001.
Quem pode garantir que depois de ter usado estes mercenários para realizar o
trabalho sujo em várias partes do mundo não os encontraremos dentro de nossos
próprios países como forte elemento de desestabilização? Nesse sentido, a crise
econômica que nos próximos anos fará pesadamente sentir as repercussões
dramáticas das políticas neoliberais e capitalistas pode se tornar um caldo de
cultura terrorista perigosíssimo para a nossa democracia e conivente com
aqueles setores financeiros que invocam poderes fortes à altura da tarefa de
impor um dolorosíssimo expurgo às classes mais pobres da Europa. Um simples bom
senso deveria levar a isolar e combater estes elementos em vez de exaltá-los e
reforçá-los como está acontecendo nestas semanas na Síria.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;Com
esta premissa, é claro que a partida que está sendo jogada em torno de Damasco
é bem mais ampla quanto ao futuro da Síria. Portanto, é extremamente difícil
fazer prognósticos , mas uma coisa se pode hoje dizer: o Estado ainda é forte.
Isto pode ser compreendido a partir de muitas coisas, desde a organização
interna nos aeroportos até a presença de guardas nos cruzamentos e ruas – como
sempre distraídos e indiferentes - , passando pelas escolas, universidades,
correios, hospitais... Em resumo, todos os serviços que fazem um “Estado”. Nada
que se pareça ao que nas primeiras semanas de revolta acontecia na Tunísia, no
Egito, e na Líbia. Aliás, são os próprios dirigentes comunistas a sublinhar que
“nenhum embaixador abandonou o posto ou se passou para o lado dos rebeldes”.
Uma verdade que no entanto esconde também uma outra face posta em relevo desta
vez pelos setores da oposição: a característica confessional da atual classe
dirigente síria. Uma ligação mais forte do que qualquer outra coisa.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;Os
alauitas certamente sabem que se Assad caísse viriam dias difíceis para eles,
mas esta convicção é também a de muitas igrejas cristãs-ortodoxas presentes na
Síria. A sombra de uma repetição do que aconteceu no Iraque aterroriza a igreja
cristã e o demonstra a própria palavra do patriarca Hazieem recordando a
história de São Paulo na estrada de Damasco, sublinhando o fato de que se enraizaram
a religião islâmica e a cristã e que todas as religiões nas suas várias
subdivisões aqui conviveram durante séculos e séculos. Uma paz que existiu na
comunidade alauita, precisamente porque minoria, um elemento de importante
mediação e estabilização. O patriarca conta como este ano “na Páscoa os
muçulmanos vieram rezar conosco, fazem isto todo ano, mas desta vez eram
muitos, em sinal de solidariedade e paz”.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;Em
favor do diálogo e da paz entre diversas confissões se expressou também o
grande Mufti da mesquita Oumaiada de Damasco, Ahmad B. Hassoun, falando contra
a “ingerência externa que fabrica a guerra em vez de trabalhar pela
reconciliação entre todas as partes. Há pessoas que matam por dinheiro,
financiados do exterior. São armadas e recebem muitos dólares”. &lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;Nenhuma
defesa de ofício do regime, que segundo o religioso sunita “muda de modo
pacífco, não com o assassinato de tantas pessoas em troca de dinheiro”. Para o
Muftì “quem hoje mata em nome de Alá faz uso político da religião que não se
justifica em absoluto. Vemos isso na Arábia Saudita, no Afeganistão, em tantos
lugares”. Estas palavras foram ditas com lágrimas nos olhos pela dor e raiva:
seu filho foi assassinado, fora da universidade de Latakia, culpado por recusar
o confronto entre confissões religiosas que alguns queriam impor ao país.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;Mas
quem teme uma oposição caracterizada como agente do Catar é sobretudo aquela
parte da sociedade síria que nestes anos se caracterizou por sua laicidade.
Nesse sentido é emblemático o olhar que se recebe entrando na universidade
pública de Damasco. As ruas estão cheias de estudantes, rapazes e moças que
caminham, estudam, falam e convivem socialmente. Parece uma universidade como
outra qualquer do mundo se não fosse pela curiosidade que leva em breve dezenas
de estudantes em torno da delegação do Conselho Mundial da Paz (do qual faço
parte). Querem falar conosco: dizem que não querem guerra e terrorismo, que
querem decidir autonomamente sobre seu futuro e atacam a ingerência estrangeira
e sobretudo o que o Catar, a Arábia Saudita e a Turquia estão tentando fazer.
Não defendem Assad, aliás pedem maior coragem e reformas mais incisivas. &lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;Sob
ataque estão também os meios de informação árabes, entre eles Al Arabya e Al
Jazeera, ontem campeões da liberdade, hoje instrumento de manipulação e de uso
bélico da informação. A primeira é da Arábia Saudita, a segunda do Catar. E
sobre um muro de Damasco se lê uma frase escrita há pouco em que a emissora do
Catar é chamada de prostituta. Também isto é um pedaço do conflito que envolve
a Síria.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;Mas
voltemos aos chamados rebeldes. Quem são? Nas primeiras semanas o
descontentamento tinha uma certa conotação de massa, isto graças à soma de três
elementos, “um efeito em cadeia” da chamada primavera árabe, uma crise
econômica que fazia sentir as próprias consequências causando desemprego e que
se somava a dois anos de seca que tinha posto a agricultura de joelhos e enfim
um legítimo cansaço com um partido que governa o país há mais de quarenta anos.
Naquela fase, como frequentemente ocorre com os governos no poder há muitos
anos, o executivo sírio pecou por presunção e ficou surpreso pela presença nas
praças de uma oposição difusa. As primeiras reações são despropositadas e
revelam dificuldade de compreender realmente o que está acontecendo. Ocorrem
verdadeiros atos de violência por parte da polícia, condenada depois pelas
próprias forças que apoiam a Frente Patriótica Nacional. Nas primeiras filas da
crítica estão inclusive os dois partidos comunistas. [Integram a Frente Patriótica
Nacional o Partido Baath, do presidente Assad e demais partidos que apoiam o
regime, inclusive dois partidos comunistas - N.doT].&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;O
paradoxo está, porém, no fato de que quando Assad condena os excessos da
polícia e começa a abrir-se às reformas, a oposição se transforma, muda
radicalmente de pele, e substitui as legítimas exigências de democracia e pão
pelo objetivo geopolítico de mudança de campo do País. Em pouquíssimas semanas
a oposição que enchia as praças é substituída por algo bem diferente, o terrorismo,
que tem por fim último o velho projeto do Pentágono de desembaraçar-se de
qualquer modo de um dos pouquíssimos Estados nacionais que se mantiveram
íntegros e não aliados aos seus desejos. Uma evolução que não é nova e tem
caracterizado nestes meses grande parte das revoltas árabes.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;Para
compreender o que está acontecendo pode ser útil recordar uma cena de um filme
sempre atual: “O Poderoso Chefão”. No filme de Francis Ford Coppola, em certo
momento se vê uma reunião de “família” em torno da mesa de almoço do “chefão”,
Don Vito Corleone. Naquela ocasião o chefão fala da iminente eleição pela
renovação da presidência da República estadunidense dizendo: “vença quem
vencer, o vencedor deve ser ligado a nós”. A máfia não podia perder e assim os
poderes que giram em torno da Casa Branca não podem permitir-se ver escapar a
hegemonia de dezenas de anos no Oriente Médio. Custe o que custar. É nesta
ótica que se deve ler a mudança de rota da administração Obama, que embora
defendendo os mesmos interesses de seu predecessor, decide pôr fim à cruzada
contra o Islã para iniciar uma estreitíssima colaboração com uma parte do Islã
político sunita que ideologicamente tem como referência a Irmandade Muçulmana.
Uma corrente sempre tão extremada e intransigente no querer aplicar os
preceitos corânicos, quanto compatível e boa aliada dos componentes
anglo-saxões do liberalismo de mercado.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;Há um
elemento que não parece preocupar tanto os sírios, ou seja, os efeitos do
boicote pretendido por Obama são hoje estreitíssimos. Muitos me recordam que a
Síria é vítima de cerca de uma década de um embargo tão ilegal quanto
agressivo. Uma situação que desenvolveu anticorpos e uma economia capaz de
resistir com o modello da experiência cubana.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;Se a
realidade moderna é esta, bem mais complicado é buscar definir como poder sair
do funil de violência e desestabilização que caracteriza esta fase.
Seguramente, as reformas representam um primeiro passo importante, embora
insuficiente. Nesse sentido, a reforma eleitoral pode ser um primeiro ensaio
sobre a real vontade reformista de Bashar Al Assad. Entre as novas listas
admitidas na batalha eleitoral para a renovação do Parlamento muitos são
próximos ao partido Baath, mas nem todos, e mesmo assim em seu conjunto é
inegável o aspecto dialético que inserem na vida política síria. Um aspecto que
salta aos olhos quando se caminha pelas ruas de Damasco, assim como de Latakia
ou Alepo, evidente nos panfletos da campanha eleitoral deste e daquele
candidato. Muitos e também as candidatas mulheres, que se apresentam em seus
panfletos eleitorais com fotografias sem véus e com um look decididamente
liberal. Este também é um modo de sublinhar o aspecto de abertura, mesmo nos
trajes e hábitos, presentes na sociedade síria.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;Mas os
sírios não se iludem, sabem que a crise não poderá terminar em pouco tempo e
que a sua autodeterminação só poderá prevalecer se puderem contar com o apoio
indireto dos Brics, os únicos países hoje a fazer contrapeso aos Estados
Unidos, que já fizeram ouvir a sua voz bloqueando resoluções nas Nações Unidas
que teriam tido o efeito de reproduzir tudo o que aconteceu na Líbia.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;[Artigo tirado do sitio web brasileiro
‘&lt;a href=&quot;http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_noticia=183104&amp;amp;id_secao=9&quot;&gt;Vermelho&lt;/a&gt;’, do 13 de maio de 2012]&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;</description>
 <category domain="http://www.galizacig.org/avantar/taxonomy/term/1461">crise</category>
 <category domain="http://www.galizacig.org/avantar/taxonomy/term/1614">imperialismo</category>
 <category domain="http://www.galizacig.org/avantar/taxonomy/term/1810">internacional</category>
 <category domain="http://www.galizacig.org/avantar/taxonomy/term/5486">Libia</category>
 <pubDate>Mon, 14 May 2012 11:23:03 +0200</pubDate>
 <dc:creator>rafa.villar</dc:creator>
 <guid isPermaLink="false">30483 at http://www.galizacig.org/avantar</guid>
</item>
<item>
 <title>Portugal: Pacto de Agressão - Um ano depois</title>
 <link>http://www.galizacig.org/avantar/opinion/14-5-2012/portugal-pacto-de-agressao-um-ano-depois</link>
 <description>&lt;p&gt;&lt;strong&gt;A
assinatura do pacto de agressão no final do 1.º semestre de 2011 e a imediata
implementação de várias medidas nele incluídas – cortes orçamentais, em
especial nos apoios sociais às famílias e no investimento público, aumento da
carga fiscal directa e indireta sobre os trabalhadores, subida dos preços dos
transportes públicos e da eletricidade e cortes nos salários de milhares de trabalhadores
com a introdução da sobretaxa sobre o subsídio de Natal – provocaram a partir
do 2.º semestre do ano passado um agravamento da situação econômica e social do
nosso país sem precedente nas últimas décadas.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;No dia
17 de Maio passa um ano desde a assinatura do pacto de agressão entre a troika
nacional (PS/PSD/CDS) e a troika internacional (FMI/CE/BCE).&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;Em
troca de um &quot;empréstimo&quot; de 78 mil milhões de euros até ao final de
2013, o PS, então no Governo, e a direita, então ainda na oposição, acordaram
com a troika internacional a implementação de um exaustivo e calendarizado
conjunto de medidas de política econômica e social, que no limite poderá levar
à destruição de muitas das conquistas de Abril e que de imediato conduziram o
nosso país para uma profunda recessão cuja duração temporal é ainda hoje
difícil de determinar.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;É
oportuno nesta altura olharmos para a situação em que nos encontrávamos há um
ano atrás, compará-la com aquilo que nos prometeram então e com aquilo a que
nos conduziram nestes últimos 12 meses. A melhor forma de o fazer passa pela
reprodução do cenário macroeconómico apresentado para 2011 e para os anos
seguintes com a assinatura do pacto de agressão e compará-lo com a situação
que, passados apenas 12 meses, já hoje vivemos.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;O
quadro seguinte reproduz o cenário macroeconómico previsto pelo Governo no
momento da assinatura do pacto de agressão.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;img src=&quot;http://www.admin.paginaoficial.ws/admin/arquivos/biblioteca/cms-image-00000017826752.jpg&quot; alt=&quot;&quot; /&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;Por sua
vez, as estimativas e as previsões macroeconômicas mais recentes aparecem
refletidas no quadro seguinte.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;img src=&quot;http://www.admin.paginaoficial.ws/admin/arquivos/biblioteca/cms-image-00000017926753.jpg&quot; alt=&quot;&quot; /&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;A
assinatura do pacto de agressão no final do 1.º semestre de 2011 e a imediata
implementação de várias medidas nele incluídas – cortes orçamentais, em
especial nos apoios sociais às famílias e no investimento público, aumento da
carga fiscal directa e indireta sobre os trabalhadores, subida dos preços dos
transportes públicos e da eletricidade e cortes nos salários de milhares de trabalhadores
com a introdução da sobretaxa sobre o subsídio de Natal – provocaram a partir
do 2.º semestre do ano passado um agravamento da situação econômica e social do
nosso país sem precedente nas últimas décadas.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;Dezenas
de milhares de empresas fecharam portas e só no 2.º semestre de 2011
perderam-se cerca de 162 mil empregos e a taxa de desemprego em termos reais
atingiu no final do ano cerca de 20,3%, o que significa que perto de um milhão
e duzentos mil trabalhadores estavam no final do ano passado desempregados.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;O
aprofundamento da recessão no 2.º semestre de 2011 foi claro e inequívoco, ao
mesmo tempo que as previsões de evolução do PIB para 2012 e 2013 se
deterioraram fortemente. As estimativas mais recentes apontam para uma queda do
PIB no 2.º semestre de 2011 de (-2,4%), como resultado das fortes quedas
registadas no Consumo Privado (-5%) e no Investimento (-18,9%), acompanhadas de
quedas no Consumo Público (-3,6%) e nas Importações (-8,2%) e de uma
considerável desaceleração das Exportações.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;O
efeito recessivo do pacto de agressão sobre a vida das famílias é tal que, pela
primeira vez desde 1996 (primeiro ano de informação trimestralizada das contas
nacionais), o consumo das famílias em bens alimentares caiu no 2.º semestre de
2011 (-0,7%), que o consumo de bens duradouros caiu (-24,4%) e só no último
trimestre essa queda foi de (-31,3%) e que o consumo de bens correntes não
alimentares e serviços caiu (-3,4%).&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;O
impacto esperado das medidas do pacto de agressão em 2012, em que se destacam o
corte dos salários e das pensões de reforma, em termos reais, em 20,4%,
resultante da supressão dos subsídios de Férias e de Natal para a esmagadora
maioria dos trabalhadores da Administração Pública e do Setor Empresarial do
Estado e para grande parte dos reformados, o congelamento dos salários nominais
dos restantes trabalhadores da Administração Pública e do setor privado, a
subida dos preços dos transportes públicos e da energia bem acima da inflação,
o aumento do IVA e do IRS.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;Os
cortes nos apoios sociais às famílias e aos desempregados, o aumento das
despesas com saúde e educação, leva a que a mais recente previsão do cenário
macroeconómico (boletim da primavera do Banco de Portugal) preveja uma queda do
PIB em 2012, que é mais do dobro da que era esperada antes da sua assinatura
(de -1,6% passou para -3,4%), com o Consumo Privado a cair como nunca (-7,3%),
o Consumo Público também em queda e o Investimento a continuar o seu já longo
percurso de queda contínua, que faz com que o seu nível real actual se situe
próximo dos níveis de 1996. &lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;O
impacto recessivo de todas estas medidas será de tal forma elevado em 2012 e
2013 que o próprio Banco de Portugal, neste seu último boletim económico da
primavera, prevê uma queda do emprego de -3,6% em 2012 e de -0,7% em 2013, o
que significa a destruição nestes dois anos de cerca de 207 mil empregos e a
correspondente subida do desemprego. Não é por acaso que o próprio Governo,
sempre muito cauteloso no cálculo das previsões do desemprego, veio há muito
pouco tempo corrigir as suas previsões da taxa de desemprego para 2012 e 2013,
prevendo agora mais 60 mil e 40 mil desempregados respectivamente, do que
quando da assinatura do pacto de agressão. Tudo leva a crer que, mesmo assim,
uma vez mais peque por defeito nas suas previsões de cálculo da taxa de
desemprego neste e no próximo ano.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;Entretanto,
e pelas piores razões – uma profunda recessão e um desemprego que atingiu
níveis nunca vistos –, a Balança Corrente apresenta um déficit bem inferior ao
perspectivado aquando da assinatura do pacto de agressão. A travagem na
actividade econômica resultante da queda do consumo das famílias, da falência
de milhares de empresas e da queda do investimento, levou a que as importações
de bens caíssem e o défice do saldo comercial se reduzisse, com impacto directo
no défice da Balança Corrente. &lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;E a
descida só não foi maior porque a Balança de Rendimentos que também integra a
Balança Corrente se agravou em 2011, fruto do peso cada vez maior que a saída
de lucros e dividendos apresenta, como resultado da alienação da maior parte
dos grandes grupos econômicos ao grande capital estrangeiro. A muito curto
prazo, a recente venda da participação do Estado na EDP e na REN e o resultado
das outras privatizações que o Governo pretende efectuar reflectir-se-ão no
agravamento do déficit da nossa Balança de Rendimentos.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;É caso
para dizer que o nosso país, como resultado do pacto de agressão e das suas
medidas de política económica e social, ao mesmo tempo que caminha a passos
largos para alcançar o equilíbrio das suas contas externas, hipoteca cada vez
mais a sua soberania e leva à fome e à pobreza milhares e milhares de
portugueses. O equilíbrio das contas externas será assim obtido da forma mais
inimaginável e trágica, através da destruição do nosso aparelho produtivo, do
empobrecimento crescente dos trabalhadores e consequentemente de uma maior
desigualdade na distribuição do rendimento e da completa subalternização do
nosso país.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;Um ano
depois da assinatura do pacto de agressão vale a pena recordar aquilo que o
Partido Comunista Português (PCP) então afirmou sobre o pedido de intervenção
financeira feito pelo Governo PS com o apoio do PSD e CDS: &quot;Ao contrário
da campanha ideológica que tem vindo a ser erguida, visando a justificação desta
iniciativa, o PCP reafirma que o recurso a este mecanismo é, não uma “ajuda”,
mas uma ameaça que, a ser concretizada, se transformará numa nova agressão aos
direitos de quem trabalha e numa nova e mais grave amputação da soberania
nacional. &lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;À
semelhança daquilo que já se verificou noutros países, que recorreram a uma
intervenção financeira externa da União Europeia e do FMI, o seu accionamento
arrastará consigo o agravamento do desemprego, da pobreza e da exploração,
reflectindo-se em mais recessão económica, em mais endividamento externo, sem
resolver os problemas da especulação e dos juros da dívida pública que,
hipocritamente, dizem querer conter&quot;.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;A
realidade aí está nua e crua para mostrar como tínhamos razão naquilo que então
afirmávamos: o país tem hoje mais de 200 mil desempregados do que então, está
mais endividado, mais pobre, mais desigual, mais injusto e muito mais
dependente do exterior.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;[Artigo tirado do sitio web brasileiro ‘&lt;a href=&quot;http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_noticia=182674&amp;amp;id_secao=9&quot;&gt;Vermelho&lt;/a&gt;’,
do 13 de maio de 2012]&lt;/p&gt;</description>
 <category domain="http://www.galizacig.org/avantar/taxonomy/term/1461">crise</category>
 <category domain="http://www.galizacig.org/avantar/taxonomy/term/1482">Europa</category>
 <category domain="http://www.galizacig.org/avantar/taxonomy/term/1486">neoliberalismo</category>
 <category domain="http://www.galizacig.org/avantar/taxonomy/term/2252">Portugal</category>
 <pubDate>Mon, 14 May 2012 10:57:18 +0200</pubDate>
 <dc:creator>rafa.villar</dc:creator>
 <guid isPermaLink="false">30481 at http://www.galizacig.org/avantar</guid>
</item>
<item>
 <title>Sector financeiro español: «el más sólido del mundo»</title>
 <link>http://www.galizacig.org/avantar/opinion/14-5-2012/sector-financeiro-espanol-el-mas-solido-del-mundo</link>
 <description>&lt;p&gt;&amp;nbsp;Sociedade de
cómplices, para falsear e delinquir, é o que nos presenta a realidade despois
da inxección de diñeiro publico a Bankia. Lembrome dos chamados «test de
resistencia» aos bancos e caixas do Estado español que «voluntariamente»
presentara o goberno socialista de Zapatero ás autoridades fiscalizadoras
comunitarias. O Committee of European Banking Supervisors (CEBS) publica o
resultado en xullo de 2010 no chamado &lt;a href=&quot;http://mediateca.vieiros.com/CEBS.pdf&quot;&gt;test
de estrés da banca europea&lt;/a&gt; co fin de esvaer incertezas e
dúbidas ante a solvencia do sistema financeiro do Estado español, que en &lt;a href=&quot;http://www.publico.es/dinero/153948/zapatero-califica-al-sistema-financiero-espanol-como-el-mas-solido-del-mundo&quot;&gt;palabras
de Zapatero&lt;/a&gt;: «seica conta co sistema financeiro máis sólido da &amp;nbsp;&amp;nbsp;comunidade internacional».&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;Os resultados
non puideron ser «mellores», &amp;nbsp;e despois
de enganar, inflando e maquillando balances, informes de xestión, colocando
inmobéis embargados coma activos, etc, etc, ás autoridades europeas, &lt;em&gt;Novacaixa Galicia&lt;/em&gt;, hoxe &lt;em&gt;Nova Galicia Banco&lt;/em&gt; (&lt;em&gt;Evo&lt;/em&gt; fóra do noso país), e o &lt;em&gt;Banco
Pastor&lt;/em&gt; saían con resultados «positivos». Despois de coñecelos o daquela
presidente do &lt;em&gt;Banco Pastor&lt;/em&gt;, José María
Arias, subliñaba a solvencia da súa entidade e aseveraba nun comunicado que
«aínda no peor dos escenarios» o &lt;em&gt;Pastor&lt;/em&gt;
non precisaría capital nin fusións con outras entidades.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;Hoxe todos
estes exames, probas de estrés, control do Banco de España e auditorías
resultaron ser falsas… ou medio falsas que é o xeito de adubiar a mentira. Era
o segredo menos segredo entre a cidadanía que a meirande parte dos bancos e
caixas estaban quebradas. A venda das chamadas «preferentes» que a tantos
aforristas prexudicou na Galiza foi un xeito de conseguir «accionistas» e
liquidez indirecta mentres podían manterse. &amp;nbsp;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;Esta semana &lt;em&gt;Bankia &lt;/em&gt;súmase ao «escolleito» clube dos
sospeitosos habituais das finanzas españolas. A negativa de&lt;em&gt; Deloitte&lt;/em&gt; a asinar as contas de 2011 rematou coa carouta de
«normalidade» e frases feitas dos políticos e directivos de entidades
fusionadas zombis. Despois de recibir axudas do BCE agora vai recibilas do
Estado español, sen ser nacionalizado, é dicir, unha vez saneado… será devolto
aos mesmos directivos do Partido Popular que ou ben dirixen bancos ou son
ministros ou secretarios xerais segundo toque.&amp;nbsp;
O exemplo de &lt;em&gt;Bankia&lt;/em&gt; é unha
clara mostra de que non todas as perdas do sector financeiro están no «tixolo».
&lt;em&gt;Bankia&lt;/em&gt; especializábase en finaciar os
desmáns faraónicos dos políticos do PP (Madrid e Valencia principalmente); a
financiación dos comboios do metro de Madrid ou a renovación permanente do préstamo
de 500 millóns de euros á Comunitat Valencià son un exemplo, a guerra interna
no PP na destitución-sustitución do anterior presidente de Caja Madrid, Miguel
Blesa, entre Gallardón e Aguirre forma parte do lameiro no que o PP converteu
Bankia. &amp;nbsp;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;Nos resultados do &lt;strong&gt;&lt;a href=&quot;http://mediateca.vieiros.com/CEBS.pdf&quot;&gt;test de estrés da banca europea&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt; de 2010 ningún banco do Estado español foi apercibido pola
mala súa mala situación financeira. As únicas entidades europeas que non
superaron as probas foron o alemán Hypo Real State e o grego ATEBank, unha
mostra máis da incapacidade das fiscalizacións da UE.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;Que dirá hoxe Esperanza Aguirre sobre a «autoregulación
do mercado nunha economía libre no que intervención do Estado (con diñeiro
público) na empresa privada e un atentado á liberdade» Seguro que nada. &lt;/p&gt;

&amp;nbsp;

&lt;p&gt;[A Coruña, 12 de
maio de 2012]&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;</description>
 <category domain="http://www.galizacig.org/avantar/taxonomy/term/1809">banca</category>
 <category domain="http://www.galizacig.org/avantar/taxonomy/term/1461">crise</category>
 <category domain="http://www.galizacig.org/avantar/taxonomy/term/1460">economía</category>
 <category domain="http://www.galizacig.org/avantar/taxonomy/term/1843">Estado español</category>
 <pubDate>Mon, 14 May 2012 09:25:56 +0200</pubDate>
 <dc:creator>rafa.villar</dc:creator>
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</item>
<item>
 <title>O ouriço financeiro europeu</title>
 <link>http://www.galizacig.org/avantar/opinion/11-5-2012/o-ourico-financeiro-europeu</link>
 <description>&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Hoje em
dia a melhor metáfora para a ação predatória do sistema financeiro desregulado
é a de um ouriço venenoso, cujos espinhos paralisam e fazem degenerar os
organismos que toque. Agora o coro dos “austeros” começa a mostrar sinais de
cansaço. A eleição de Hollande na França. A ameaça de que o Syriza, liderado
por Alexis Tsipras, possa formar um governo de esquerda e denuncie o plano de
“austeridade” acendeu a luz vermelha do pânico. &lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;strong&gt;&amp;nbsp;&lt;/strong&gt;A gente tem a
tendência a ver a intervenção do sistema financeiro no sistema produtivo e na
economia das nações como uma lança no coração. Não é a melhor imagem. Também
não é aquela – já foi – do longínquo filme “The Blobe”, “A Bolha Assassina”,
com Steve McQueen e Aneta Corseaut (1958), a bolha que tudo absorve numa massa
informe. (Embora na época a bolha de cor vermelha parecesse mais uma metáfora
do lado comunista da Guerra Fria).&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;Hoje em
dia a melhor metáfora para a ação predatória do sistema financeiro desregulado
é a de um ouriço venenoso, cujos espinhos paralisam e fazem degenerar os
organismos que toque.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;Senão
vejamos. Sigo livremente a trilha de um&amp;nbsp;&lt;a href=&quot;http://www.guardian.co.uk/business/2012/may/08/austerity-europe-what-does-it-mean&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;artigo do jornal The Guardian&lt;/a&gt;:&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;1)
Grécia: cortou tudo. Graças a essa “salvação”, o desemprego está em 21%.
Serviços médicos caóticos, moradores de rua (25%) explodindo em Atenas,
insegurança, extrema-direita organizando grupos que detém controle sobre bairros
de imigrantes em cidades a pretexto de oferecer ‘segurança’ a cidadãos que
buscam caixas eletrônicos. Impasse eleitoral.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;2)
Portugal: retração econômica de 3,4% neste ano. Desemprego, 15%. É mais fácil
hoje despedir trabalhadores sem justa causa, contratar novos e mudar horas
trabalhadas. Desregulou-se o controle sobre rendas financeiras e as fontes de
energia estão sendo provatizadas.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;3)
Irlanda: aumentos de impostos, impostos sobre mercadorias e serviços em 23%,
cortes nos salários em 15%. Aumento de impostos territoriais, penalizando a
classe mádia, diminuição do seguro desemprego e do número de funcionários
públicos.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;4)
Espanha: aumento nos impostos territoriais, cortes na saúde, educação,
desemprego em 25%, 50% entre jovens. Impostos sobre mercadorias e serviços
aumentaram em 18%. Novos aumentos são esperados.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;5)
França: diminuição dos impostos para os mais ricos e grandes empresas (governo
Sarkozy), aumento da idade de aposentadoria de 60 para 62 anos. Sistema
educacional público à míngua. &lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;6)
Itália: desemprego beirando 10%. Diminuição no PIB em 1,2% prevista em 2012. O
governo luta para facilitar a demissão de trabalhadores sem justa causa. Um
museu queima obras de arte em protesto pela falta de verbas, outros vão à
falência administrativa.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;7)
Reino Unido: cortes de 103 bilhões no orçamento público até 2017. Anuidades
universitárias na estratosfera. Empregos públicos em queda, cortes nas despesas
de segurança. Greves ameaçam as Olimpíadas deste ano.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;8)
Alemanha: sim, a próspera Alemanha! [Ver &amp;nbsp;“&lt;a href=&quot;http://www.cartamaior.com.br/templates/colunaMostrar.cfm?coluna_id=5585&quot; target=&quot;_blank&quot;&gt;François Hollande e o ’milagre
alemão’&lt;/a&gt;.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;9)
Holanda: governo em crise não consegue sustentar política de “austeridade”.
Idem com&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;10)
Romênia.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;11) Em suma,
o caos. Aparentemente, tudo se deve à crise da “dívida pública”, à “farra do
Estado, dos aposentados, etc”. Mas o que trouxe isso, de longe, foi a
desregulamentação feroz do sistema financeiro, a crença no monetarismo
salvacionista e a rigidez dos “planos de austeridade”.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;Agora o
coro dos “austeros” começa a mostrar sinais de cansaço. A eleição de Hollande
na França e a situação de “impasse descontente” na Grécia acenderam a luz
amarela do medo. Vozes em Bruxelas, Frankfurt, Berlim, acenam com um aforuxamento
da rigidez da “austeridade”, embora continuem exigindo que a Grécia continue se
afundando nesse pantanal.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;Mas a
ameaça de que o Syriza, liderado por Alexis Tsipras, possa formar um governo de
esquerda e denuncie o plano de “austeridade” acendeu a luz vermelha do pânico.
Se a Grécia estatizar seus bancos, o sistema financeiro francês, junto com o
espanhol, vai soçobrar, e o alemão, adernar.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;Será o
caos? Mas já estamos no caos! A ver.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;Enquanto isso, a Islândia, que não depende do
euro, fez uma devassa no seu sistema financeiro e se recusou a desmontar seu
sistema de seguridade social, vai navegando soberana pelo oceano europeu
enregelado, ainda ao largo do ouriço ameaçador...&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;[Artigo tirado do sitio web brasileiro
‘&lt;a href=&quot;http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=20119&quot;&gt;Agência Carta Maior&lt;/a&gt;’, do 9 de maio de 2012]&lt;/p&gt;</description>
 <category domain="http://www.galizacig.org/avantar/taxonomy/term/4425">austeridade</category>
 <category domain="http://www.galizacig.org/avantar/taxonomy/term/1461">crise</category>
 <category domain="http://www.galizacig.org/avantar/taxonomy/term/1482">Europa</category>
 <category domain="http://www.galizacig.org/avantar/taxonomy/term/1464">finanzas</category>
 <pubDate>Fri, 11 May 2012 12:56:21 +0200</pubDate>
 <dc:creator>rafa.villar</dc:creator>
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</item>
<item>
 <title>O medo do exemplo</title>
 <link>http://www.galizacig.org/avantar/opinion/11-5-2012/o-medo-do-exemplo</link>
 <description>&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Na
Argentina, a recente decisão de (re)nacionalização da empresa petrolífera YPF,
cujo capital era maioritariamente detido por uma empresa estrangeira – Repsol
–, adquire uma importância e um significado que vão muito além das fronteiras
argentinas.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;1. Argentina, anos 90. O país das Pampas é a
menina bonita dos mercados financeiros, apontada como exemplo a seguir por
outras economias emergentes. Durante praticamente toda a década, a Argentina
vive sob os auspícios de um programa político e económico apadrinhado pelo FMI.
Foram os anos do neoliberalismo impante. A ortodoxia monetarista – câmbio fixo,
paridade com o dólar, plano de convertibilidade limitando fortemente a emissão
de moeda, privatizações – merece os louvores da instituição.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;Em
Outubro de 1998, o presidente Carlos Menem faz um discurso triunfal no Encontro
Anual FMI-Banco Mundial.(1)&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;Três
anos depois, tudo acabou na tragédia que se sabe. Os efeitos do colapso da
economia sobre a população foram dramáticos e, mais de uma década passada, ainda
perduram.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;2. As intervenções do FMI, independentemente
do momento e do país em que se produzem, prosseguem tipicamente dois objectivos
imediatos essenciais: a redução dos custos unitários do trabalho e
privatizações. Assim foi na Argentina. Assim foi também noutros países da
América Latina, na Ásia, em África, na Europa. Assim é hoje em Portugal,
através do programa FMI-UE. Trata-se de criar as condições para retomar e
aprofundar o processo de acumulação de capital, levando mais longe a exploração
e o saque.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;3. Em Portugal, desde o início do processo de
privatizações, nos anos 80, pela mão de Cavaco Silva, que o argumento da
necessidade de venda de empresas públicas para combater a dívida pública é
utilizado. A adesão e integração na CEE/UE são indissociáveis deste processo.
De então para cá, consumou-se o assalto ao sector empresarial do Estado, a mais
de uma centena de empresas públicas, algumas delas estratégicas. No mesmo
período, a dívida pública, em percentagem do PIB, praticamente duplicou. Não
obstante, sob a vigência do actual pacto de agressão FMI-UE, a aldrabice de
argumento persiste. Sabem bem da sua falsidade. Em resposta a uma pergunta do
PCP, em Março último, a Comissão Europeia reconhecia, com revelador cinismo,
que «estas receitas [da venda de empresas públicas] são obtidas em detrimento
de futuras receitas provenientes dos lucros dessas empresas».(2)&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;4. Mas não são apenas (nem sobretudo) as
receitas provenientes de lucros e dividendos aquilo que se perde com as
privatizações. Perde-se emprego (e com os despedimentos vêm mais encargos para
a Segurança Social). Perde-se receitas fiscais. Reduz-se o investimento dos
benefícios sociais que dele resultam. Sobretudo, enfraquece-se o controlo
público, democrático, sobre sectores-chave da economia. Perdemos instrumentos
fundamentais para a determinação soberana do nosso colectivo devir. Nessa
medida, empobrece-se a própria democracia.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;5. É neste quadro que, na Argentina, a recente
decisão de (re)nacionalização da empresa petrolífera YPF, cujo capital era
maioritariamente detido por uma empresa estrangeira – Repsol –, adquire uma
importância e um significado que vão muito além das fronteiras argentinas.
Trata-se do reconhecimento do desastre que significou o processo de
privatizações, corrigindo-se o erro. Voltando o seu a seu dono.
Renacionalizando-se o que havia sido privatizado – com benefícios para o
capital nacional e estrangeiro, mas com enorme prejuízo para o país e o seu
povo.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;Já
depois da decisão argentina, o presidente boliviano Evo Morales anunciou a
nacionalização da empresa de electricidade do país, também detida por um grupo
espanhol – REE –, prosseguindo um ciclo de nacionalizações iniciado em 2006 e
que envolveu já 15 empresas consideradas estratégicas.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;A
subdirectora do Diário Económico, Helena Coelho, na semana passada, expressou
bem a inquietação que sentem, deste lado, os feitores do sistema: «A febre das
nacionalizações está a tomar conta da América Latina. Primeiro a Venezuela,
depois a Argentina, agora a Bolívia, todas decidiram entrar pelas empresas
privadas adentro e reclamar aquilo que não é seu».&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;Reacção
semelhante foi a do Parlamento Europeu. Direita e social-democracia (incluindo
PS, PSD e CDS) uniram-se na condenação e na exigência de represálias. Mostram,
afinal de contas, quem servem. Unidos na defesa dos interesses do capital,
contra o interesse dos povos. Mas não conseguem esconder o medo. O medo do
exemplo. E esforçam-se por esconjurar o futuro que este exemplo prefigura...&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;______________________________________________________________&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;(1)
Michael Mussa, &quot;Argentina y el FMI – Del triunfo a la tragedia&quot;, WP
ediciones/Planeta, 2002.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;(2) &lt;a href=&quot;http://www.europarl.europa.eu/sides/getDoc.do?type=WQ&amp;amp;reference=E-2012-002516&amp;amp;language=PT&quot; title=&quot;http://www.europarl.europa.eu/sides/getDoc.do?type=WQ&amp;amp;reference=E-2012-002516&amp;amp;language=PT&quot;&gt;http://www.europarl.europa.eu/sides/getDoc.do?type=WQ&amp;amp;reference=E-2012-0...&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;______________________________________________________________&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;[Artigo tirado do sitio web portugués ‘&lt;a href=&quot;http://www.avante.pt/pt/2006/europa/119952/&quot;&gt;Avante&lt;/a&gt;’,
núm. 2006, do 10 de maio de 2012]&lt;/p&gt;</description>
 <category domain="http://www.galizacig.org/avantar/taxonomy/term/1645">Arxentina</category>
 <category domain="http://www.galizacig.org/avantar/taxonomy/term/1461">crise</category>
 <category domain="http://www.galizacig.org/avantar/taxonomy/term/2228">FMI</category>
 <category domain="http://www.galizacig.org/avantar/taxonomy/term/1486">neoliberalismo</category>
 <category domain="http://www.galizacig.org/avantar/taxonomy/term/6903">YPF</category>
 <pubDate>Fri, 11 May 2012 12:01:53 +0200</pubDate>
 <dc:creator>rafa.villar</dc:creator>
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</item>
<item>
 <title>Balanço das eleições gregas</title>
 <link>http://www.galizacig.org/avantar/opinion/9-5-2012/balanco-das-eleicoes-gregas</link>
 <description>&lt;p&gt;&lt;strong&gt;A
análise dos resultados de eleições parlamentares pode ser um exercício bastante
inútil, quando não politicamente enganoso – está em causa precisamente a
natureza do regime parlamentar clássico, cujos méritos e deméritos, e seus
efeitos perniciosos na mobilização popular, já todos conhecemos. No entanto,
dada a situação particular da Grécia, vale a pena correr o risco dessa análise.&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;As
percentagens de votação&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;1.Nova Democracia – 18,85% – 1.192.054
(-14,6%)&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;2.Syriza – 16,78% – 1.061.265 (+12,2%)&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;3.Pasok – 13,18% – 833.529 (-30,7%)&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;4.Gregos Independentes – 10,60% – 670.596&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;5.KKE – 8,48% – 536.072 (+0,9%)&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;6.Aurora Dourada – 6,97% – 440.894 (+6,7%)&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;7.Dimar (Esquerda Democrática) – 6,11% –
386.116&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;8.Verdes – 2,93%&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;9.Laos (extrema direita) – 2,90%&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;10.Aliança democrática (liberais) – 2,55%&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;11.Recriar a Grécia (liberais) – 2,15%&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;12.Acção (liberais) – 1,8%&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;13.Antarsya (coligação de esquerda
anticapitalista) – 1,19%&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Nota:&lt;/strong&gt; o limiar mínimo para colocar deputados no parlamento grego é de 3% dos
votos. É de assinalar que os pequenos partidos que não alcançaram este limiar
totalizam cerca de 14% dos votos.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;strong&gt;A
derrota dos partidos no poder&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;A
primeira coisa que salta à vista é a queda brutal de votos em todos os partidos
que têm governado a Grécia desde o fim da ditadura militar em 1974 (Nova
Democracia e Pasok). Estes dois partidos juntos costumavam obter 70% a 90% dos
votos. Desta vez ficam-se pelos 32%. Ainda assim, isto garante-lhes uma posição
muitíssimo confortável no parlamento, como se verá adiante; mas a perda de
apoio de mais de metade dos votantes não pode deixar de ser encarada como uma
derrota.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;A Nova
Democracia caiu de 33% em 2009 para 19% – passa de 2,3 milhões de votos para
1,2 milhões.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;O Pasok
caiu de 44% em 2009 para 13% – de 3 milhões de votos para 0,8 milhões.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;O Laos,
partido de extrema direita que também apoiou os acordos da zona euro e os
memorandos com a Troika, caiu de 5,6% para 2,9% – de 386.000 votos para
182.000.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Relação
entre apoiantes e opositores dos acordos com a Troika&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;2/3 dos
eleitores foram às urnas. Isto dá-nos uma amostra significativa do eleitorado.
Os votos brancos são residuais. Portanto não pode deixar de saltar à vista que
a percentagem de gregos que continuam a apoiar os partidos responsáveis pelas
medidas de austeridade e os acordos com a Troika caiu abaixo de 40%.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;Os
partidos que apoiam os empréstimos da eurozona são a Nova Democracia, o Pasok,
o Laos e grupos liberais extra-parlamentares como o Acção e a Aliança
Democrática. A Nova Democracia continua a ter a maioria em quase todas as zonas
rurais.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;Em
compensação, os partidos ou coligações que propõem a suspensão do pagamento da
dívida e sua auditoria realizam um salto notável em relação aos resultados
eleitorais anteriores.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;A
coligação de esquerda Antarsya advoga a saída da eurozona e a anulação da
dívida e dos acordos de austeridade.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;A
coligação de esquerda Syriza milita pela auditoria, suspensão da dívida durante
3 a 5 anos, e a suspensão dos acordos de austeridade.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;Os
partidos que advogam a renegociação da dívida ou que não têm uma posição clara
(Esquerda Democrática, Verdes, Recriação) somam cerca de 11%.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;Nenhum
dos partidos de extrema direita expressa opinião sobre ficar ou sair da
eurozona.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;strong&gt;A
ameaça da extrema direita&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Os partidos à esquerda do Pasok (Syriza, KKE,
Dimar, Verdes, Antarsya) somam cerca de 37%.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;Esta
boa notícia não pode iludir que os partidos da extrema direita ultrapassaram
dos 6% obtidos em 2009, ascendendo aos 21%. Fizeram uma fortíssima campanha
xenófoba (juntamente com o Pasok, que chegou ao ponto de propor campos de
detenção para imigrantes), mas uma larga parte dos seus votos provém de cidades
onde nem sequer existe imigração.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;Aurora
Dourada, um partido já com considerável currículo de banditismo neonazi, subiu
dos anteriores 20.000 votantes para 438.000 (7%).&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;Gregos
Independentes, cisão da Nova Democracia e também com uma campanha nacionalista
e de perseguição aos imigrantes, alcançou 11%.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;strong&gt;A subida das várias tendências de esquerda&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;O
Syriza saltou de 4,6% nas últimas eleições para 17% – ou seja, de 316.000 votos
para um milhão. Foi o candidato mais votado em todas as grandes cidades –
Atenas, Tessalónica, Patras –, nos centros industriais e na faixa etária dos 18
aos 35 anos. A sua campanha baseou-se na anulação dos acordos de empréstimo e
dos memorandos que conduziram às medidas austeritárias. No entanto, sendo uma
coligação, tem várias tendências internas que terão rapidamente de pôr-se de
acordo sobre como actuar na agenda política imediata. Uma das contradições
internas tem a ver com a saída ou não da eurozona – embora todas as tendências
internas defendam a suspensão do serviço da dívida e anulação dos acordos de
austeridade.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;O
Antarsya, único partido que milita claramente pela saída do euro e por um
programa anticapitalista baseado no «controle pelos trabalhadores em toda a
parte», fica-se por 1,1% dos votos. Subiu 0,8% em relação ao primeiro ano em
que se apresentou a votos (2009), mas perdeu 1/4 dos votos que tinha
conquistado nas eleições autárquicas de 2010 [desconhecemos este aspecto da
realidade grega, mas em países como Portugal, como se sabe, a comparação entre
diferentes eleições (autárquicas, legislativas, presidenciais) não faz
sentido]. Não alcançando o limiar dos 3%, vê-se dispensado de quaisquer
compromissos com o poder e terá de continuar a lutar na rua e nos movimentos
sociais pelas suas propostas.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;O KKE
(partido comunista grego) perdeu terreno em todas as cidades principais e
grandes centros de operariado para o Syriza, indo recuperar alguns votos às
pequenas cidades e zonas rurais. O KKE, por um lado, é bastante hostil à UE;
por outro recusa terminantemente a saída do euro e a suspensão da dívida;
propõe soluções «dentro do sistema».&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;strong&gt;A
distribuição dos lugares no parlamento&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;Uma
coisa é a percentagem de votos; outra coisa é a aplicação da absurda lei
eleitoral grega no cálculo dos lugares no parlamento. O partido mais votado tem
direito a um bónus de 50 lugares, donde resulta o espantoso feito de a Nova
Democracia perder enorme quantidade de votos, tanto em termos relativos como
absolutos, e no entanto aumentar em muito o número de lugares no parlamento.
Embora a Nova Democracia apenas tenha 2,1% mais que o Syriza, obtém mais do
dobro dos lugares no parlamento (108 para Nova Democracia contra 52 para
Syriza).&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Resultado:&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Nova Democracia – 108 lugares&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Syriza – 52 lugares&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Pasok – 41 lugares&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Gregos Independentes – 33 lugares&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;KKE – 26 lugares&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Aurora Dourada – 21 lugares&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Esquerda Democrática – 19 lugares.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;A Nova
Democracia tem 3 dias para formar governo. Se não conseguir, o mandato passa
para o segundo partido mais votado e assim sucessivamente.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;A Nova
Democracia e o Pasok apelam para uma coligação pró-UE. O Syriza tenta reunir
toda a esquerda (à excepção do Pasok) no sentido oposto.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;Os
Gregos Independentes afirmam estar de acordo com o Syriza em todos os pontos
essenciais, nomeadamente quanto à dívida e à economia. No entanto esta
afirmação tem de ser vista com desconfiança – Gregos Independentes propõe
privatizações, enquanto o Syriza propõe a nacionalização dos bancos sob
controle público.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;A
Esquerda Democrática disse que apoiaria uma mudança das políticas actuais e a
denúncia dos actuais acordos de austeridade.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;O KKE
afirma que não cooperará com os «novos social-democratas» e «pseudo-revolucionários»
do Syriza que «espalham ilusões» no povo. Resta saber se, perante a falência da
sua política isolacionista, que lhe custou bastantes dissabores eleitorais,
estará disposto a arrepiar caminho ou não.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Principais
linhas programáticas do Syriza&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;Por
muito surpreendentes que os resultados do Syriza possam ter sido para alguns
comentadores, basta olhar para as propostas apresentados na campanha eleitoral
da coligação para perceber o que levou os eleitores a elevarem-na a segundo
maior «partido» da Grécia. As linhas mestras da campanha do Syriza são
cristalinamente fáceis de entender para qualquer cidadão português ou grego:&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;1.Anulação imediata das medidas de
austeridade, em especial as que dizem respeito aos cortes nos salários e
pensões.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;2.Anulação das medidas de austeridade que
subtraem direitos aos trabalhadores.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;3.Suspensão do pagamento da dívida (por 3 a 5
anos).&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;4.Alteração imediata da lei eleitoral (pondo
fim ao bónus de 50 deputados para o partido mais votado) e revogação da lei que
torna os ministros inimputáveis pelos seus actos.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;5.Controle público dos bancos e publicação
imediata do relatório Blackrock.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;6.Constituição de um comité internacional de
auditoria cidadã da dívida.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;7.Cooperação ao nível europeu – «A crise não é
grega, é europeia», nas palavras de Alexis Tsipras, líder do Syriza.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;O
Syriza exigiu aos dirigentes do Pasok e do Nova Democracia que enviassem cartas
à UE dizendo que os compromissos assumidos na ocasião dos resgates financeiros
já não são válidos. Esta atitude tem um fundamento simples: o facto de mais de
40% dos eleitores não terem manifestado o seu apoio aos partidos que promoveram
esses acordos, e de a maior parte dos restantes ter votado em partidos que
repudiam os acordos – ou seja, a maioria dos cidadãos gregos manifestou
claramente estar contra os acordos com a Troika.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;Até ao
momento em que este artigo estava a ser escrito, o KKE continuava a rejeitar o
convite do Syriza à união de esforços para formar uma maioria de esquerda e
viabilizar um governo coligação.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;______________________________________________________________________&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Fontes:
&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Resultados oficiais das eleições no site do
Ministério do Interior helénico.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Yiorgos Vassalos, «Brief analysis of Greek
elections result», 7-05-2012, in Ypsilo’s Weblog.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Vários correspondentes privados, que nos
enviaram dados e análises sobre as eleições gregas.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;The Guardian – o mapa dos círculos eleitorais
e respectivos resultados.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Resultados eleitorias de 2009 e 2012 na página
francesa da Wikipedia.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Sobre o rápido crescimento da extrema direita
na Grécia: Yorgos Mitralias, in CADTM (em francês).&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;Keep Talking Greece, «Tsipras Reveals Gov’
Conditions: Annul Bailout Measures, Banks Under Public Control…», 8-05-2012.&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;______________________________________________________________________&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;&amp;nbsp;&lt;/p&gt;

&lt;p&gt;[Artigo tirado do sitio web do ‘&lt;a href=&quot;http://www.cadtm.org/Balanco-das-eleicoes-gregas&quot;&gt;CADTM&lt;/a&gt;’, do 9
de maio de 2012]&lt;/p&gt;</description>
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 <pubDate>Wed, 09 May 2012 13:13:18 +0200</pubDate>
 <dc:creator>rafa.villar</dc:creator>
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